Quinta-feira, Janeiro 31

Compras!

Sempre que vou às compras, as pessoas perguntam-me: "Então o que compraste?"
e eu respondo "Nada, porque era tudo muito feio" e eles dizem "Era tudo muito feio ou tu é que és muito esquisita?"

Isto é recorrente, e por mais que eu confirme "Era mesmo tudo muito feio." As pessoas não me acreditam.

Sendo assim hoje quando fui aos saldos (cadé eles, não achei) decidi tirar uma fotozita ou outra para explicar melhor a minha angustia das compras, ora vamos lá:

Começamos com uma coisa que eu por acaso não tirei foto mas que são as camisolas de auto ajuda, que existem em todo o lado.
Não há conceito mais estranho do que as camisolas da auto ajuda. Coisas com frases do género "Don't give up" ou " Don't be scared" ou "Better days will come".
No meu ver as camisolas com frases são logo um mau negócio porque atraem aqueles olhares estranhos das pessoas que se fixam nas nossas mamas (sitio onde regra geral está a frase), com justificação e desculpa "ah estava só a ler" é altamente constrangedor.


Mas vamos às fotos:

1- Camisolas da bruxaria

Ou é de mim que andei e a ver demasiadas coisas do Sobrenatural durante demasiados anos, ou algo de muito errado se passa com os padrões destas camisolas. Sei lá quem é que eu estou a evocar com isso vestido... sério...
Parecem símbolos maçónicos, ou sei lá... 

2-  Okay isto são sapatos com bigodes
Eu compreendi que poderá ser por causa do carnaval, por isso relativizei. E a foto é capaz de provocar um pequeno torcicolo mas não a consegui rodar e não me apeteceu abrir o photoshop de propósito. 

3- Calças de Pijama
Está bem que até podem tentar vender-mas como algo super moderno. Mas isto são calças de pijama. Eu tenho umas iguais, a única diferença é que têm o Winnie de pooh. Juro-vos, iguais!

Agora pergunto, sou eu que sou esquisita? 



Domingo, Janeiro 27

Os Melhores blogs e os outros ou A segunda mais erótica da blogosfera

Desde tenra idade que aprendemos que "mais" não é obrigatoriamente sinónimo de "melhor", contudo sempre que vemos um blog com milhentos seguidores caímos no erro de crer que há ali algo mais.
Mais qualidade, mais interesse, mais cultura, mais giveaways, mais promoções, mais coisas que obrigam uma pessoa a seguir e afins e é daí que surgem os seguidores.

Também é claro que quem tem muitos seguidores e popularidade, não atrai só coisas boas, como dizia o outro “Não se consegue fazer uma omelete sem se partir uns quantos ovos”. E por ovos uma pessoa entende uns “És uma cabra” “Espero que morras” “O teu marido é gay, só tu é que não vês”
Coisas suaves.

Mas nem estou aqui para falar disso, mas sim dos concursos que de vez em quando pipocam por aí para eleger os melhores blogs do ano em diversas categoria. Sendo que quem cria os concursos nada tem a ver com os resultados mas enfim.

Mas para que vocês tomem noção do quão credíveis estes concursos são e de como as votações são de facto justas, eu acabei de ficar num honrado 2º lugar na categoria do Melhor Blog Erótico.
Isto assim visto a olho nu não parece uma grande honra, porque nem ganhei, mas quando escrutinado compreendemos que em uns 18 concorrentes eu fiquei em 2º lugar, quando o meu blog de erotismo nada tem.
Isto se houvesse qualquer justiça e as pessoas votassem no melhor em cada categoria, eu nem deveria ter passado à segunda fase do concurso. Certo?
O que me leva às seguintes conclusões:

1- Nestes concursos não se premeiam os melhores, mas sim os mais chatos 
Aqueles que todo o dia espetam com as votações na página, todos os dias vos mandam mensagens privadas para irem votar, todos os dias vos falam do mesmo assunto. Chatos pra caralho.
Aliás eu abri um blog dos que estava a concurso em que maluco tinha feito um post a ensinar os leitores a votar todos os dias com um esquema “Se vocês votarem hoje às 10:00, amanhã votam às 10:01 e depois de amanhã às 10:02”. Sério maluco, achas que as pessoas não têm melhor que fazer?
Ou seja, basicamente aquilo acaba por contabilizar aqueles que mais aborrecem e principalmente aqueles que mais gente têm para aborrecer.
Porque se vocês só conhecerem 4 malucos, mesmo que o vosso blog seja o melhor (melhor blog, lol) vocês nunca ganharão.

2- Há pessoas que levam isto bem a sério 

E matam-se nas votações. Metam os olhos nos comentários do Aventar , chovem os “Votei em não sei quem e o voto não contabilizou” ou “Blog X passou de 2º lugar para 1º muito rapidamente acho que alteraram os IP do pc” ou “Blog Y está inscrito na categoria errada, nem devia lá estar” ou “O blog D não ganhou o ano passado? Deviam retirá-lo da lista e dar oportunidade a outros”

Oportunidade do quê? De ganhar um grandessíssimo nada?
A sério? Vocês estão-se a matar, a odiar e a canalizar as vossas energias numa merda que para além de não ter qualquer credibilidade (como vocês viram pelos meu segundo lugar), ninguém ganha nada com isso.

3- Não é preciso 3ª conclusão, vocês já chegaram lá.  




Domingo, Janeiro 20

Relativizar é a palavra

Ás vezes penso o quão frustrante deve ser ser fantasma na minha casa.

Provavelmente deve ser a coisa mais frustrante do mundo, porque há em nós a capacidade de relativizar tudo o que acontece. Se alguma coisa cai do nada "Olha, estava mal equilibrado", se pouso o telemóvel aqui e ele aparece noutro lado qualquer "Devo ter sido eu que o meti ali e agora já não me lembrava"

Relativizar é a palavra...

Lembro-me que uma vez vi um programa, daqueles das tardes da Fátima Lopes, ou da Júlia Pinheiro (não interessa, porque também já não me lembro) em que uma mulher garantia que o espírito da falecida filha lhe mudava as coisas de sítio.

"Juro-lhe minha senhora, a fotografia da minha filha move-se 2 a 3 centímetros para a esquerda do lugar onde costuma estar na prateleira"
ou
"Há dias a camisola que costumava estar no armário do lado direito apareceu no esquerdo"

Senti honestamente pena da eventualidade de um fantasma viver aqui, isto porque se estivermos a ver televisão e a foto da minha falecida avó sair a voar pela sala, até parece que consigo imaginar a reacção da minha mãe:

"Oh Ana, vai ali fechar a janela que está aqui corrente de ar."  

Pobres fantasmas, não dá pena?

Quinta-feira, Janeiro 10

Eu gostava.

Gostava de me realizar com uma mala Chanel, com umas calças da nova tendência burgundy. Gostava de ser tontinha, falar pelo nariz e dizer que preciso de mais tempo para mim, que bem mereço. Cagar para o mundo porque o que interessa mesmo é o meu umbigo. Gostava de passar indiferente ao que se passa, gostava de não ver a desgraça, gostava de não saber que a realidade de muitos, não é igual à minha, gostava de não ter nada na cabeça, ai isso gostava. Gostava de falar da minha viagem a Paris paga por não sei quem. E gostava de dizer que o meu objectivo de vida todos os anos é fazer uma viagem de sonho. Gostava. Gostava de que me passassem ao lado histórias como a do homem que ontem vi na reportagem da Sic, que perdeu emprego, por conseguinte a casa e agora morava na rua com o cão, à mercê de caridade alheia… alguém que um dia teve tudo.
Gostava de olhar as ruas de Lisboa e ver as montras e não os pedintes. Gostava.
Gostava de ignorar que há crianças a passar fome todos os dias, gostava de fechar os olhos a isso, e ficar feliz ao comprar mais uns sapatos. Gostava de olhar o futuro e que os meus desejos para 2013 fossem uma mala Chanel, que afinal vai com tudo e nunca saí de moda. Gostava.

Domingo, Janeiro 6

Ode à ciência Económica.

Não quero saber da taxa de juro
Da curva de Phillips, nem da de Laffer
Não quero saber da Curva de Possibilidades de Produção,
Seja o que Deus quiser.

O óptimo de Pareto
Nem me importa,
As ópticas de medição do PIB,
Fazem-me sentir burra que nem uma porta

Mais o produto efectivo
E o produto potencial
Quem é que gosta de estudar isto?
Alguém sem vida social e sexual?

Taxas de inflação e deflação
Mais o Hiato do produto
Para que é que isto me servirá no futuro
O meu cérebro é diminuto

Escassez, bens públicos,
Adam Smith e a sua teoria da mão invisível 
Mais o Keynes e o Marx
O suicídio parece-me uma saída possível.

Quero lá eu saber como se mede
O nível de preços que nos leva a consumir
Neste momento o que quero mesmo,
É só comer e dormir

Não me importa o Jean Baptiste Say
E a lei de que é a oferta que determina a procura
Nem o Bentham, utilitarista
Que constatou o óbvio e devia ser cabeça dura

O que eu quero mesmo é arranjar uma caravana
Fumar muita maconha
Ouvir Pink Floyd sem cansar
E passar a vida na ronha.

Quarta-feira, Janeiro 2

Eu ia...

fazer um post com resoluções para este ano, mas a minha resolução do ano passado foi não fazer resoluções para este ano.

Quarta-feira, Dezembro 26

As 50 Sombras de Grey

O Natal é época de união familiar (principalmente com aqueles que nós evitamos o ano todo) de comidinhas gostosas (altamente calóricas que nos transformam em obesos com acne) e de recebermos presentes que não gostamos (isto soou um bocado seco, mas tem de ser se não a introdução fica muito grande)

Antigamente as pessoas resumiam isso às meias, sério, havia sempre um familiar ou dois que oferecia meias. Mas agora não, as pessoas tornaram-se originais e há uma parafernália de coisas que ninguém quer, ninguém precisa, mas que se trocam no natal.

Sim, vocês já devem ter chegado lá, ofereceram-me as 50 Sombras de Grey.
E chegaram lá porquê?
Porque eu tinha escrito no título, obviamente.

Eu pensei em trocar o livro na Fnac sem mais contemplações, fácil e rápido. Mas depois, como sofro de algo gravíssimo chamado síndrome da mão alienígena (benza-me Deus que bem sei que não se deve fazer pouco destas coisas), em que basicamente mal controlo o que as minhas mãos fazem e é péssimo, especialmente na internet, em que sou levada a carregar em links que não lembrariam nem ao menino Jesus no Natal. Então ontem, numa noite de insónia, decidi passar-lhe os olhos.

E o que é que eu tenho a dizer sobre o livro…
Primeiro não entendo o porquê de tanta crítica, o livro é libertador, aliás, senti o mesmo a ler as primeiras 10 páginas que senti ao ouvir o álbum da Áurea pela primeira vez, que é a sensação de que ter talento não é necessariamente o mais importante para se vingar e ter sucesso.
Sério, fiquei com a plena noção de que poderei escrever um livro e que a possibilidade de ele vir a ter sucesso é altíssima, tendo em conta aqueles padrões eu poderei ganhar o Nobel da Literatura, ou não, mas ao menos irei vender bastante.

Albert Camus, Franz Kafka, Gabriel García Márquez, são castradores de sonhos, uma pessoa está a ler aquelas coisas e a pensar “Eu nunca vou escrever nada assim”, mas nas sombras de Grey não, de todo.

Aquilo começa logo bem com a Anastacia Steel a dizer que vai entrevistar um homem que não conhece de lado nenhum, nunca o viu mais gordo e nem sabe nada dele, ele refere esse facto 50 vezes, que nunca o viu que não sabe quem ele é. 5 segundos depois ela própria faz de narrador e descreve-o, com pormenores que só saberia se de facto o conhecesse, há ali uma lacuna besta que ninguém entende.

Outra também genial é o facto dela se estar a preparar para uma noite de sexo louco com aquele Deus grego que é o Christian e tecer como comentário mental: “Ali estava ele, de jeans e camisa branca… que borracho!”

Borracho?
Quem é que traduziu aquilo? Quem que usa a expressão borracho relacionando-a com sexo?
A nossa tris tris tris tris trisavó recordando a sua noite de núpcias?

E aquela coisa para lá de gasta da principal ser uma tontinha que tropeça nos próprios pés e depois vai-se a ver e é uma rameira do pior? Se eu já detesto o género na vida real, então na ficção nem vos digo. Cabras sonsas dissimuladas é do pior tipo de gente.
E a história em si é para lá de irreal, na primeira vez da moça ela vem-se 3 vezes, não uma, não duas… 3! Soa altamente legitimo. E depois aquilo é género discos pedidos “ele disse-me, vem-te, e eu larguei a minha Deusa interior e vim-me”
Deusa interior?

Mas ela nem é a pior na história, o Christian consegue suplantar a personagem sonsinha. Basicamente ele seria o homem ideal, giro, rico e ninfomaníaco, mas depois parece-se todo àqueles tarados psicopatas, que repetem o nosso nome vezes sem conta, e que o nosso sexto sentido nos diz: “baza rápido antes que ele te esventre e depois utilize a tua pele para passear ao fim de semana pela casa”.
Não há nada mais altamente assustador do que alguém repetir o nosso nome a cada 5 segundos numa conversa, seja ela de que cariz for. Depois há ali uma variante interessante que é o facto de ele a tratar por 3 nomes diferentes, Ana, Anastacia e Menina Steel, aquilo para alguém como eu que estava a passar capítulos tornou-se algo confuso, houve uma altura em que me perguntei “Mas ele está na cama com quantas mesmo?”

Para concluir tenho a dizer-vos que alguém deixar o marido porque esteve a ler as Sombras de Grey e ele não se parece com o Christian (sim, que eu li isso por aí) é a mesma coisa que eu deixar o meu namorado porque estive a ler o Twilight e ele não brilha e dava-me jeito que ele brilhasse. Por acaso até dava mesmo que a luz do meu quarto fundiu.

Sério, ao saber que o livro é um sucesso fiquei triste, principalmente com a minha espécie. Porque os homens regra geral sendo seres simples contentam-se com aquilo que buscam, se o livro promete putaria e tiver putaria os homens ficam felizes. Basta ter a palavra "mama" duas ou três vezes o homem regozija. Mas as mulheres não, as mulheres costumam procurar qualidade e ali, bem... ali não há.